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Às vezes

sábado, 19 de junho de 2010 — 0 comment(s)
Às vezes gostava de ter coragem para fazer o que realmente quero.
Às vezes gostava de não me importar com as possíveis consequências.
Às vezes gostava de não pensar tanto.
Às vezes gostava de ser estúpida.

Às vezes gostava de ser capaz de saltar de cabeça.

Às vezes gostava de ser elegante.
Às vezes gostava de não ter tantas curvas.
Às vezes gostava de ter o cabelo liso e comprido.
Às vezes gostava de não ter este nariz.

Às vezes gostava de ser outra pessoa.



Como não posso ser uma coisa, não consigo fazer outras.

Máscaras

sábado, 13 de fevereiro de 2010 — 3 comment(s)
Todos nós as usamos. Passamos mais de metade da nossa vida escondidos por detrás delas para atingir os nossos interesses.
Eu própria, mal acabo de acordar, a primeira coisa que faço é abrir a gaveta e tirar de lá uma máscara que se adeqúe ao que pretendo fazer nesse dia. Não considero uma falha de personalidade, mas acho sim, que para nos camuflarmos devidamente do mundo, é preciso ser-se inteligente. É necessário ter-se noção da sociedade que nos envolve e de saber qual a melhor maneira de nos proteger contra tudo que nos possa causar mal. Vivemos numa sociedade hipócrita, sempre mascarada e pronta a apontar-nos o dedo à primeira falha, esquecendo-se dos seus próprios tectos de vidro. Se queremos sobreviver temos de aprender a usar as nossas diversas máscaras.
Somos seres naturalmente egoístas, fingimos simpatia, autoconfiança, inocência, forçamos amizades por interesse. Usamos e somos usados constantemente sem dar por isso. Para usar pessoas é preciso manipula-las, para as manipular temos de recorrer às nossas máscaras, quer seja para encantar ou quer seja para intimidar. Precisamos constantemente de recorrer aos nossos disfarces para obtermos o que queremos.

A vida não passa de um teatro que todos nós temos de representar sem nos dar ao luxo de errar, porque quando erramos não há volta a dar, a máscara cai juntamente com todas as teias de mentiras criadas à sua volta.

O bom das máscaras é que por quanto mais as usamos, melhor conseguimos ver através das dos outros, apercebendo-nos com quem lidamos diariamente.
Uso muitas máscaras. São elas que me protegem. Não me hão de voltar a apanhar desprotegida. Não vou voltar a ser um isco fácil. Sou a primeira pessoa a dizer que sou uma cabra que é capaz de fazer tudo que estiver às minhas mãos para conseguir o que quero. Quer seja para mim quer seja para aqueles de quem gosto. Aprendi a usar bem as minhas máscaras. Fui usada e agora sou eu que uso. Agora só me usa quem eu permito que o faça. Doeu mas valeu a pena. Tornei-me realista e sei como lidar e o que esperar da espécie humana. Agora consigo ver em quem posso realmente confiar e em a quem me posso mostrar tal como sou. Sem máscaras.

Tudo que eu quero é descobrir o meu lugar para poder finalmente guardar todas as minhas máscaras e ser feliz no meio das pessoas que me aceitam tal como sou, e com as escolhas que faço. Viver sem receio de voltar a ser apunhalada nas costas. Um lugar onde possa realmente descansar em paz.
Isso ou então tornar-me um ser ignorante, porque acho que se não fosse tão observadora e não pensasse tanto, era ingénua e não me apercebia da crueldade da minha espécie a meu redor. E assim era capaz de ser mais feliz.